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Falta de água e de cuidados médicos ameaçam à saúde dos atingidos pelo furacão Matthew

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Muitos povoados permanecem isolados do resto do Haiti nas regiões mais afetadas pelo furacão Matthew, nos departamentos de Grande Anse e Sul. As clínicas móveis da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) que chegaram a essas regiões atenderam um grande número de pessoas feridas e com lesões que, mais de duas semanas depois da passagem do furacão, no dia 4 de outubro, continuavam sem tratamento. Os pacientes também apresentavam problemas como gastrite, diarreia e infecções no trato urinário.

Muitos habitantes dessas regiões começaram a reconstruir moradias improvisadas, mas a qualidade escassa do material disponível faz com que esses refúgios não representem proteção alguma contra chuvas torrenciais.

De acordo com autoridades nacionais, 175 mil pessoas perderam suas casas por causa do furacão, há mais de 2 milhões de afetados e 1,4 milhão de habitantes precisam de ajuda. Os dados oficiais estimam 546 mortos, mas é provável que o número real seja maior. As instalações de saúde, que já tinham escassos recursos materiais e humanos antes da passagem do furacão, também foram afetadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que 23 centros de saúde foram danificados.

O acesso a cuidados médicos já era muito limitado antes do furacão; frequentemente, os centros de saúde sofriam com a falta de recursos e sua situação, agora, é crítica. Além dos danos, a disponibilidade de medicamentos e material sanitário está diminuindo porque o acesso por estradas está bloqueado.

Sem uma atenção especializada e contínua, os ferimentos infectados podem levar à septicemia e, potencialmente, à morte, enquanto fraturas que não são curadas podem gerar deficiências.

Os preços dos alimentos aumentaram de forma significativa. Além da destruição de reservas, houve danos aos cultivos e há dificuldade nos transportes. De acordo o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês, 800 mil pessoas estão em um nível extremo de insegurança alimentar.

A falta de água, os abrigos de má qualidade e a grande dificuldade de ter acesso a assistência médica afetam diretamente o estado de saúde geral da população afetada pelo furacão. As circunstâncias atuais são preocupantes devido à possibilidade de propagação de doenças como malária, dengue e pneumonia.

| MSF

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